Falar sobre sustentabilidade é algo que deixou de ser restrito às áreas de meio ambiente das empresas e órgãos públicos. Desde o início dos anos 2000 que temas relacionados com mudanças climáticas, biodiversidade, economia circular e responsabilidade social ganharam cada vez mais espaço. Nos últimos anos o tema se reinventou com a agenda ESG e olhar forte para os negócios, atendendo demanda de leis, regulamentos, além de pressão crescente de consumidores, investidores e até mesmo de fornecedores.
Inicialmente o tema era focado nas áreas ambientais e cursos relacionados, mas com o passar do tempo e a transversalidade do tema, profissionais de várias áreas abordaram o tema, como engenharias, gestão ambiental, biologia, administração, direito, jornalismo, comunicação, recursos humanos, economia e até mesmo tecnologia da informação. Cada área contribui de uma maneira diferente para tornar empresas e organizações mais preparadas para os desafios ambientais, sociais e econômicos.
Mas existe uma realidade que pouca gente comenta, grande parte do que um profissional de sustentabilidade realmente precisa saber não é aprendida em uma sala de faculdade. Apesar de ser um alicerce fundamental para a construção da base do conhecimento de conceitos, indicadores, normas, legislação e impactos ambientais, boa parte do conhecimento sobre o tema é aprendido na rotina de um trabalho, projeto ou voluntariado.
A prática fora do ambiente acadêmico nos mostra que sustentabilidade não é apenas preservar o meio ambiente, é relacionar o tema com os negócios da empresa, com as políticas públicas e com as demandas da sociedade. Uma grande habilidade que necessita da vivência prática é encontrar o equilíbrio para que as ações sejam ambientalmente corretas, socialmente responsáveis e economicamente viáveis.
Também descobrimos que nem sempre a melhor solução técnica será a escolhida. Muitas das decisões tomadas dependem de planejamento, orçamento, estratégia, metas de curto e longo prazo, exigências legais, interesse de clientes e até mesmo a força de trabalho necessária, habilidades que dificilmente são ensinadas dentro da sala de aula.
A faculdade também não nos mostra que a sustentabilidade se baseia fortemente em dados, organização de indicadores, atender legislações, preparar relatórios, encarar burocracias corporativas. O profissional precisa conversar com fornecedores, auditores, equipes operacionais, diretoria, clientes e comunidades. Comunicação, liderança, negociação e capacidade de resolver conflitos acabam sendo tão importante quanto o conhecimento técnico.
Não há um curso específico para trabalhar com sustentabilidade depois da faculdade, as formações podem ser as mais variadas, depende mais da vontade e vivência de cada profissional. Talvez essa seja a maior lição que a faculdade não ensina, que a sustentabilidade não é uma área que se aprende apenas nos livros, mas é construída diariamente na prática, por meio da experiência e dos desafios enfrentados.
O diploma abre a porta para o mercado de trabalho, mas é a experiência profissional que transforma um bom estudante em um profissional capaz de gerar impacto positivo para as empresas e para a sociedade.
Referências
A ONU e o meio ambiente | As Nações Unidas no Brasil
[BD_1 – 1] EST_SUPL2/BRANDED/PÁGINAS<01-GUIA-MBA> … 24/11/24