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As canetas emagrecedoras podem ajudar no combate ao aquecimento global

A obesidade é considerada uma das maiores epidemias de saúde pública da atualidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas vivem com obesidade, condição associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns tipos de câncer e redução da qualidade de vida.

Desde o seu lançamento, medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, revolucionaram o tratamento da obesidade, proporcionando perdas de peso que, até pouco tempo atrás, eram alcançadas quase exclusivamente por meio da cirurgia bariátrica, associada a mudanças intensivas no estilo de vida. O uso desses medicamentos se expandiu rapidamente em diversos países, e estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas já tenham utilizado essa classe de remédios em todo o mundo, resultando em uma perda acumulada de centenas de milhões de quilogramas.

Entretanto, o uso desses medicamentos deve ocorrer exclusivamente com acompanhamento médico, pois existem contraindicações, efeitos adversos e critérios específicos para sua prescrição. Apesar disso, cresce também o mercado de produtos falsificados e o uso indiscriminado, sem orientação profissional, um problema observado no Brasil e em diversos outros países.

Ao mesmo tempo em que o acesso a esses medicamentos aumenta, as mudanças climáticas continuam se intensificando. O planeta registra sucessivos recordes de temperatura, resultado principalmente do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, enquanto o fenômeno El Niño potencializa temporariamente alguns desses impactos. Na Europa, sucessivas ondas de calor vêm estabelecendo novos recordes de temperatura. No Brasil, o fenômeno favorece elevados volumes de chuva e enchentes na Região Sul, aumenta o risco de estiagens no Norte e Nordeste e contribui para períodos mais quentes no Sudeste e Centro-Oeste.

Apesar de serem temas extremamente atuais é difícil faze uma relação entre eles. No entanto, foi justamente essa conexão que pesquisadores passaram a investigar em um estudo publicado em 2025, que avaliou como a redução do consumo de alimentos promovida por esses medicamentos poderia influenciar as emissões de gases de efeito estufa.

A produção de alimentos é responsável por aproximadamente um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. Essas emissões são provenientes das mudanças no uso da terra, como o desmatamento para expansão agrícola, da pecuária, da utilização de fertilizantes nitrogenados, do transporte de alimentos, da produção de insumos agrícolas e do consumo de combustíveis por máquinas ao longo de toda a cadeia produtiva.

É justamente nesse ponto que esses medicamentos podem produzir um efeito indireto. Ao promoverem maior sensação de saciedade, eles reduzem a ingestão calórica e, consequentemente, o consumo de alimentos. Em larga escala, uma menor demanda por alimentos pode contribuir para reduzir as emissões associadas à produção agropecuária e ao processamento de alimentos.

O estudo estimou que usuários desses medicamentos poderiam reduzir cerca de 695 kg de CO₂ por ano apenas em decorrência da menor ingestão de alimentos. Esse volume corresponde aproximadamente às emissões geradas por uma viagem de 3.500 quilômetros em um automóvel movido a gasolina ou ao carbono removido da atmosfera por quatro árvores nativas da Mata Atlântica durante seus primeiros 20 anos de crescimento.

É importante destacar que esse benefício climático é indireto. Ainda assim, essa discussão demonstra como diferentes áreas do conhecimento estão cada vez mais conectadas, mostrando que sustentabilidade e saúde podem andar lado a lado.

Referências

GLP-1 Drugs Are Good For Climate Change, Heart Study Says – Drugs.com MedNews

https://arxiv.org/abs/2505.24457
https://www.sosma.org.br/noticias/cada-arvore-da-mata-atlantica-chega-a-retirar-163-kg-de-gas-carbonico-da-atmosfera

Brasil é o segundo país que mais pesquisa por Mounjaro e Ozempic no mundo | CNN Brasil