Quando falamos sobre a quantidade de vida na Terra é esperado que a gente logo associe que a espécie humana seja uma peça fundamental dessa engrenagem, pois já somos mais de 8 bilhões de pessoas no planeta. Entretanto há outra forma de olhar para esses números, os seres humanos representam apenas 0,01% de toda a biomassa do planeta.
Biomassa é uma forma de medir o volume total de matéria viva que existe na Terra. Nessa conta entram todos os seres vivos que existem, como plantas, animais, fungos, bactérias e todas as outras formas de vida. Ao olharmos com mais cuidado os números vamos ter uma noção de como as plantas são representativas em nosso planeta, pois representam 82% de toda a vida do globo. As bactérias representam 13% e somente na sequência os animais aparecem, representando apenas uma fração da biomassa total.
Apesar da baixa participação no volume de vida, nenhuma outra espécie causou tantos estragos e impactou tanto quanto a humanidade. Principalmente depois da revolução industrial e a implantação de agricultura e pecuária em larga escala, as atividades humanas transformaram todas as paisagens naturais, em maior ou menor grau e as alterações seguem aumentando sem precedentes.
Um dos dados mais alarmantes é de um estudo de 2018, que relata que ao longo da história da civilização humana, cerca de 83% dos mamíferos selvagens foram eliminados. Espécies que antes ocupavam vastas áreas e em grandes números viram suas populações serem reduzidas e sobreviverem apenas em refúgios ambientais. Essa redução vem principalmente pelo desmatamento, fragmentação dos habitats, caça e expansão das atividades humanas.
Mas os números não ficam restritos apenas aos animais. Muitas florestas foram derrubadas para dar lugar à agricultura, pecuária e o desenvolvimento de cidades. Estima-se que metade da biomassa vegetal do planeta já se perdeu desde o surgimento das primeiras cidades e agricultura em larga escala.
Outro dado que choca quando tomamos conhecimento é sobre os mamíferos existentes, a sua maior parcela já não ocorre em ambientes naturais, aproximadamente 60% da biomassa de mamíferos do planeta vivem em fazendas, como animais de criação, principalmente bovinos, suínos e ovinos. Os seres humanos representam 36% dessa conta, enquanto os mamíferos selvagens correspondem a apenas 4%. Para cada mamífero selvagem, existem 15 domesticados.
Entretanto não é apenas entre os mamíferos que os números assustam. As aves também passam pelo mesmo dilema ambiental, existem muito mais aves vivendo para a produção de carne e ovos, como as galinhas do que aves silvestres.
Esses números ajudam a compreender a dimensão da influência humana sobre o planeta. Embora sejamos apenas uma pequena fração da vida existente na Terra, nossas escolhas e atividades afetam praticamente todos os ecossistemas. O consumo de recursos naturais, a emissão de gases de efeito estufa, a geração de resíduos, a poluição e a conversão de áreas naturais são exemplos de ações que contribuem para a degradação ambiental e para a perda da biodiversidade.
Apesar do ser humano impactar tanto na vida silvestre, possuímos a capacidade de reverter parte do impacto causado. A conservação de áreas naturais, ações de reflorestamento, consumo sustentável de recursos, reduções de emissões de carbono, aumento de taxas de reciclagem e educação ambiental são medidas capazes de contribuir para uma reversão desses números.
Referências
Humanos representam 0,01% da vida no planeta, mas já destruímos 83% de todos os animais selvagens
Humans make up just 0.01% of Earth’s life — what’s the rest? | Our World in Data
Humanos representam 0,01% dos seres vivos e mataram 83% dos mamíferos – Revista Galileu | Ciência