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Os principais desafios de sustentabilidade na construção civil

Tudo o que fazemos ao longo do dia passa indiretamente sobre os pés da construção civil, desde o alicerce da nossa casa, o escritório onde estamos trabalhando, as grandes estradas que dirigimos, os sistemas de coleta e tratamento de água. A construção civil é um marco da civilização humana.

A construção civil acompanha o ser humano desde os primórdios da sua existência, quando os primeiros abrigos rudimentares foram adaptados para proteção contra o clima e predadores. As grandes construções da antiguidade, como as pirâmides do Egito, os templos da Mesopotâmia, o Partenon na Grécia e os aquedutos romanos, demonstram um impressionante domínio de materiais, logística e engenharia para a época.

Com o advento da engenharia moderna, especialmente a partir da revolução industrial, o setor passou por uma transformação sem precedentes. O uso do aço, do concreto armado e de tecnologias avançadas permitiu a construção de edifícios cada vez mais altos, estradas, pontes, barragens, túneis e estruturas de contenção que sustentam o funcionamento das cidades e da economia global. 

No entanto, esse avanço técnico veio acompanhado de um aumento significativo no consumo de energia e de matériasprimas, além da geração de grandes volumes de resíduos e emissões de gases de efeito estufa, colocando a sustentabilidade no centro do debate atual sobre o futuro da construção civil. 

Atualmente, a construção civil é reconhecida como um dos setores de maior impacto ambiental do mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o setor de edificações e construção é responsável por cerca de 32% do consumo global de energia e aproximadamente 21% das emissões totais de gases de efeito estufa. 

Entre os principais desafios de sustentabilidade do setor, destacase o uso intensivo de matériasprimas não renováveis, como areia, brita, calcário e minério de ferro. Globalmente, estimase que a construção civil consuma cerca de 40% a 50% de todos os recursos minerais extraídos e até 75% dos recursos naturais explorados, considerando agregados e materiais básicos. 

Outro grande desafio é a destinação dos resíduos da construção civil (RCC). De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o Brasil gera cerca de 48 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição por ano, o que representa aproximadamente 30% de todos os resíduos sólidos urbanos do país. Apesar de mais de 80% desses resíduos serem tecnicamente recicláveis, menos de 25% efetivamente retornam ao ciclo produtivo, com grande parte sendo descartada de forma irregular em áreas urbanas e ambientais sensíveis. 

Nesse contexto, ganha relevância a possibilidade de incorporar resíduos e materiais alternativos na própria cadeia da construção civil. O uso de agregados reciclados em pavimentação, blocos, artefatos de concreto, além da incorporação de resíduos industriais e de resíduos da própria construção, pode reduzir significativamente a extração de recursos naturais e a pegada de carbono das obras. Estudos indicam que a substituição parcial de agregados naturais por reciclados pode reduzir em até 30% as emissões associadas a determinados materiais, além de gerar economia e novos mercados sustentáveis. 

O futuro da construção civil passa necessariamente pela adoção de ações concretas de sustentabilidade. Entre os principais caminhos estão o planejamento eficiente das obras, a redução de desperdícios nos canteiros, o uso de materiais de baixo carbono, a ampliação da reciclagem de resíduos, a eficiência energética dos edifícios e o fortalecimento de políticas públicas e normas técnicas. 

Referências

Setor da construção baixa emissões de CO2 pela primeira vez, diz Pnuma | ONU News

Relatório de Status Global para Edificações e Construção | UNEP – UN Environment Programme

Construção civil deixa de reciclar 41,2 milhões de m³ de resíduos por ano | PressWorks | Valor Econômico

Brasil recicla menos de um quarto dos resíduos da construção civil, apesar do potencial técnico e econômico – Portal Embrapa