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Quem volta primeiro em uma área de recuperação: animais ou plantas?

A cada dia que passa, avançamos cada vez mais sobre áreas de vegetação nativa, cada intervenção humana pressiona e desmata mais áreas naturais. A destruição dos ecossistemas é um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo. No mundo, estima-se que 10,9 milhões de hectares de florestas sejam perdidos a cada ano, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação Essa perda contínua compromete a biodiversidade, agrava as mudanças climáticas e ameaça a sobrevivência de milhões de espécies.

 No Brasil, país que abriga a maior floresta tropical e maior biodiversidade do mundo, os índices de desmatamento têm oscilado bastante nas últimas décadas. Em 2024, o país registrou níveis alarmantes de destruição, mas em 2025 houve uma redução significativa pois o desmatamento caiu cerca de 42% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ainda assim, o Brasil continua sendo o país com maior perda absoluta de florestas, devido às pressões da expansão agrícola.

Em 2024, o desmatamento nos outros biomas brasileiros apresentou variações importantes: 

  • Cerrado foi o bioma com maior área desmatada, registrou uma queda de 25,76%;
  • Mata Atlântica teve uma redução de 37,89%;
  • Pampa diminuiu seu desmatamento em 20,08%;
  • Pantanal apresentou a maior queda percentual, com 58,6%;
  • Caatinga foi o único bioma que apresentou aumento no desmatamento, com crescimento de 9,93%.

Diante desse cenário, surgem as chamadas áreas de recuperação natural, espaços onde se interrompe o uso humano e se aguarda que a própria natureza retome seu equilíbrio. Essa técnica de restauração passiva aposta na capacidade dos ecossistemas de se regenerarem sem grandes intervenções humanas. O processo começa com o retorno das plantas pioneiras, como gramíneas e arbustos, que conseguem se estabelecer em solos degradados. Elas são fundamentais porque estabilizam o solo, reduzem a erosão e iniciam a ciclagem de nutrientes. Somente depois que há cobertura vegetal suficiente é que os animais retornam, atraídos pelo alimento e pelo abrigo que a vegetação oferece.

As plantas voltam primeiro, pois dependem apenas da dispersão de sementes e da capacidade de germinar em condições adversas. Já os animais precisam da vegetação para sobreviver. Quando retornam, desempenham papéis essenciais, como polinização, dispersão de sementes e controle de populações de insetos, completando o ciclo de recuperação. Sem fauna, a floresta pode até crescer, mas se torna menos diversa.

A importância desse processo é enorme, as áreas de recuperação natural ajudam a restaurar funções ecológicas, proteger recursos hídricos e reduzir os impactos das mudanças climáticas. No Brasil, onde o desmatamento ainda ocorre em larga escala, essas áreas são uma estratégia complementar às políticas de reflorestamento ativo. Elas mostram que a natureza tem uma capacidade de se regenerar naturalmente.

Referências

Prodes  – BIG – BiomasBR

Home | Global Forest Resources Assessments | Food and Agriculture Organization of the United Nations

https://www.globalforestwatch.org

Regeneração natural sem manejo – Portal Embrapa