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Plástico desenvolvido a partir de bambu e que desaparece em 50 dias

Muito comum andarmos pelas ruas e avenidas e nos depararmos com poluição e resíduos jogados no chão, um deles se destaca: o plástico. Está por todos os lados, nos rios, nos copos plásticos, nas sacolinhas de mercado, nas embalagens de alimentos, nas garrafas de refrigerante. Mais de um século depois da sua produção inicial, é quase impossível passarmos pelo menos um dia sem dependermos do plástico e contribuirmos para sua poluição e descarte incorreto.

Todos os anos, o mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico, das quais cerca de 350 milhões de toneladas viram resíduos. Isso significa que diariamente descartamos o equivalente a mais de 2 mil caminhões de lixo plástico em rios, oceanos e lagos. Desde a década de 1950, a humanidade já gerou 9,2 bilhões de toneladas de plástico, e aproximadamente 7 bilhões se tornaram lixo acumulado na natureza e que leva séculos para desaparecer. 

O Brasil é um dos países que mais contribui para essa estatística, somos o 8º maior gerador de lixo plástico do mundo, descartando 1,4 milhão de toneladas por ano. Isso reforça a urgência de soluções, especialmente considerando que o plástico tradicional vem do petróleo, um recurso não renovável e cuja extração e uso intensificam a crise climática.

Nesse cenário, podemos pensar na reciclagem como uma alternativa para esse problema. Entretanto, apesar de sua importância, a reciclagem ainda está muito aquém do necessário. Globalmente, menos de 10% do plástico é reciclado. No Brasil, o índice é ainda mais alarmante, apenas 1,3% do plástico gerado é reciclado.  Essa baixa reciclagem se deve a fatores como a mistura de materiais, o baixo valor econômico do plástico reciclado, infraestrutura insuficiente e custos mais baixos para produzir plástico virgem.

Diante desse cenário, encontrar alternativas biodegradáveis tornou-se uma prioridade global. Pesquisadores chineses desenvolveram um bioplástico 100% derivado de bambu, capaz de se decompor no solo em apenas 50 dias. Essa inovação representa um salto tecnológico porque alia resistência semelhante ou superior aos plásticos tradicionais com biodegradação completa, sem deixar resíduos tóxicos. O bioplástico de bambu é produzido 100% a partir da celulose da gramínea.

O resultado é um plástico com alta resistência, superior a muitos plásticos convencionais, e ainda reciclável em circuito fechado, ou seja, pode ser reciclado e se transformar no mesmo material e perde apenas 10% da resistência após reaproveitamento.  Ao ser enterrado no solo, o bioplástico de bambu é rapidamente consumido por microrganismos, que quebram suas ligações de celulose. Isso faz com que ele desapareça em cerca de 50 dias, voltando à natureza como composto orgânico. 

Apesar do enorme potencial, ainda não podemos dizer que o bioplástico de bambu substituirá todo o plástico atual. Os principais desafios são garantir a escala de produção desse novo processo, os custos de produção ainda mais altos que o plástico virgem e necessidade de testes para aplicações diversas.

O mundo está negociando um tratado internacional para combater a poluição plástica. O Brasil tem avançado recentemente ao adotar metas obrigatórias, a partir de 2026, o país deverá coletar e reciclar 32% das embalagens plásticas, aumentando para 50% até 2040. 

Apesar dos resultados promissores, ainda precisamos avançar para combater a poluição plástica. Para transformar o cenário global, precisamos combinar tecnologia, compromissos globais, responsabilidade empresarial e atitude individual. 

Referências

Apenas 9% do plástico global é reciclado; no Brasil, a porcentagem é ainda menor – Jornal da USP

Cientistas criam plástico de bambu biodegradável em apenas 50 dias

ONU: mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano | Radioagência Nacional

Poluição plástica: 350 milhões de toneladas viram resíduos a cada ano, diz Credit Suisse | Exame

Poluição por plástico: tudo o que precisa de saber em 10 perguntas – Nações Unidas – ONU Portugal