A água é um recurso essencial presente em praticamente todas as atividades humanas, no consumo direto à produção de alimentos, geração de energia, transporte, higiene e lazer. No mundo, o consumo médio de água por pessoa varia muito, mas cresce de forma contínua devido ao aumento populacional e ao desenvolvimento econômico. No Brasil, a distribuição e o acesso ao recurso ainda representam desafios importantes.
O Brasil é reconhecidamente um dos países com a maior disponibilidade de água doce do planeta, com cerca de 12% da água doce disponível superficialmente no mundo e menos de 3% de toda a população. No entanto, apesar de tanta riqueza, milhões de brasileiros não possuem acesso à água potável, cerca de 35 milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades no acesso de um dos bens naturais mais abundantes em nosso país. A abundância de água esconde outro problema além da falta de acesso da população, a qualidade da água.
Estudos recentes pesquisando quase 18 mil poços identificaram que mais da metade dos rios brasileiros apresentam risco de redução de vazão devido à superexploração das águas subterrâneas, especialmente em áreas agrícolas. Já na região da Mata Atlântica, onde vivem cerca de 70% da população brasileira, aproximadamente 77% dos rios analisados apresentaram qualidade apenas regular, enquanto nenhum ponto foi classificado como “ótimo” e apenas 8% foi classificado como “bom”.
Os rios mais poluídos são aqueles localizados em áreas altamente urbanizadas e com áreas modificadas, como do Rio Tietê e Pinheiros em São Paulo e Rio dos Sinos e Gravataí no Rio Grande do Sul. Os principais problemas dos rios brasileiros são velhos conhecidos como esgoto doméstico, efluentes industriais, resíduos descartados incorretamente, uso de agrotóxicos e desmatamento da mata ciliar. Todas essas pressões ambientais diminuem a qualidade ambiental e favorecem cheias e enchentes.
Diante desse cenário, se temos tantos rios poluídos, quantos rios brasileiros ainda podem ser considerados limpos? É uma pergunta muito complexa de responder, pois o Brasil possui milhares de corpos d’água, arroios, rios e igarapés. Até mesmo a definição e nomenclatura do que exatamente é um rio passa por debates. Não há no Brasil um número oficial de rios mapeados, estimativas apontam que devem existir entre 100 e 200 mil rios e corpos d’água no Brasil.
No bioma da Mata Atlântica, por exemplo, apenas 8% dos rios analisados tiveram classificação “boa” em 2023 e nenhum ponto atingiu a categoria “ótimo”. Extrapolando esse dado, com cautela, para os outros biomas, considerando que há uma condição similar de qualidade, deve existir entre 8 e 16 mil rios e corpos d’água em condições boas e limpas em nosso país. Esses rios mais preservados tendem a estar localizados em áreas de baixa ocupação humana, com cobertura florestal intacta, menor pressão industrial e menores cargas de esgoto.
Embora o Brasil tenha uma das maiores reservas de água doce do planeta, a degradação dos rios é evidente e crescente. A poluição, o uso desordenado da água e a falta de saneamento básico comprometem não apenas a qualidade dos rios, mas também a saúde humana, os ecossistemas e a segurança hídrica. No entanto, o problema pode ser resolvido caso haja investimentos em coleta e tratamento de esgoto, restauração de matas ciliares, fiscalização ambiental e acima de tudo a educação ambiental sobre a importância de termos rios limpos e preservados.
Referências:
Metade dos rios brasileiros tem vazão comprometida, aponta pesquisa | CNN Brasil
10 rios mais poluídos do Brasil em 2025 – HPG
Panorama das águas — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Rios+Limpos – Conjuntos de dados – Portal de Dados Abertos do MMA: