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DNA deixado por seres vivos pode revelar mudanças ambientais em tempo real

Um das maiores desafios que os cientistas enfrentam quando se fala em conservação ambiental é conseguir acompanhar essas mudanças em tempo real ou o mais rápido possível, pois a mudança de padrões ambientais, distribuição de espécies é algo complexo e muitas vezes perceptível apenas depois de muito tempo ou com o impacto ambiental já instalado.

Uma nova forma de acompanhar as mudanças ambientais com uma frequência maior e mais próximo do tempo real é utilizando os fragmentos de DNA que são deixados pelos seres vivos. Esse DNA funciona como um registro imediato das mudanças ambientais, ele pode ser detectado em água por dias e em solo por semanas ou meses. O DNA ambiental (eDNA) é o material genético que organismos deixam no ambiente por meio de pele, pelos, fezes, muco, pólen ou células soltas. Esses fragmentos podem ser coletados em amostras de água, solo e até ar e, ao serem sequenciados, revelam quais espécies estiveram presentes naquele local sem a necessidade de capturálas.

Uma série de mudanças ambientais pode refletir na dinâmica populacional e específica dos animais e plantas, principalmente com as mudanças climáticas, que mudam os padrões de migração e reprodução das espécies, o desmatamento reduz a frequência e diversidade da comunidade de espécies encontradas em um local, a poluição afeta a saúde de comunidades aquáticas e terrestres, já a inclusão de espécies invasoras impacta diretamente na ocorrência de espécies nativas.

Todas essas alterações e pressões podem ser monitoradas em tempo real com a coleta e análise de DNA ambiental:

  • Detecção de presença/ausência: a simples presença do DNA de uma espécie indica que ela esteve ali recentemente; a ausência repetida pode sinalizar declínio da população ou deslocamento para outra área.
  • Variação na quantidade de DNA: queda na quantidade detectada pode antecipar perda populacional antes de observações visuais por cientistas ou por populações locais.
  • Identificação de invasores e patógenos: o DNA ambiental também serve de ferramenta para detectar espécies não nativas ou agentes de doença logo no início da invasão. Muitas vezes os patógenos são encontrados em populações selvagens, mas que não tinham contato com o ser humano, como ocorreu com a covid-19.

A detecção e monitoramento em tempo real do DNA ambiental surgem como uma importante ferramenta, pois é extremamente sensível e não invasiva, permite o monitoramento em tempo real apenas através da análise de fragmentos genéticos das populações locais de seres vivos. Essa nova abordagem pode servir como uma ação de monitoramento e implementação de programas ambientais para antecipar problemas (poluição, invasões, declínios) e orientar ações de conservação. 

Referências

DNA ambiental: aplicações e perspectivas para a conservação da biodiversidade. – Folha Biológica

Como o DNA presente no ar pode ajudar a rastrear a vida na Terra

ADN ambiental ou eDNA: dados que protegem a biodiversidade Florestas