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Quais as semelhanças e diferenças das chuvas de Minas Gerais em 2026 e do Rio Grande do Sul em 2024

Acompanhar a previsão do tempo vem evoluindo com o tempo. Décadas atrás era comum acompanhar a previsão pelo rádio, nos anos 1990 e 2000 a previsão era vista geralmente em algum telejornal na televisão, atualmente basta darmos alguns cliques e temos acesso à informação na tela de nosso celular, tablet ou computador. Sabemos com muito mais precisão quando irá chover, a probabilidade, a quantidade de milímetros de chuva, a hora que começa e possivelmente a hora que termina. 

A mudança tecnológica veio junto com a mudança climática e cada vez mais as disponibilidades de informações contrasta com a imprevisibilidade do clima. As mudanças climáticas têm alterado profundamente os padrões meteorológicos, aumentando a frequência de eventos extremos, com volumes maiores de chuva caindo em períodos menores e de forma muito mais concentrada, fenômeno observado tanto no Rio Grande do Sul em 2024 quanto em Minas Gerais em 2026.

Há grandes semelhanças entre os dois episódios, milhares de pessoas que foram atingidas e desabrigadas, dezenas e centenas de mortes e principalmente a intensidade das precipitações. Em Minas Gerais, as chuvas torrenciais de fevereiro de 2026 alcançaram acumulados acima de 589 mm apenas em Juiz de Fora, ultrapassando em mais de três vezes a média histórica do mês e provocando enxurradas violentas e deslizamentos de terra que resultaram em dezenas de mortes e milhares de desabrigados. No Rio Grande do Sul, entre o final de abril e o início de maio de 2024, algumas regiões mais de 700 mm em poucos dias, desencadeando a maior tragédia climática da história do estado, com centenas de milhares de afetados e impactos generalizados sobre infraestrutura, serviços e populações urbanas e rurais. 

Apesar das semelhanças num primeiro olhar, os dois desastres possuem diferenças significativas, principalmente na duração e na geografia de cada um dos estados. No Rio Grande do Sul, grande parte do território atingido é formado por planícies, nas regiões Central, Metropolitana e dos Vales.  A enchente se deslocou lentamente das serras e progressivamente se estendeu para os vales, transbordando rios e culminando na maior enchente da história de Porto Alegre. A duração prolongada das chuvas e a extensão das áreas alagadas também contribuíram para o agravamento humanitário e econômico, que durou semanas e meses.

Já em Minas Gerais, o relevo montanhoso da Zona da Mata trouxe um cenário diferente, pois as chuvas concentradas em poucas horas geraram enxurradas e deslizamentos de terra, especialmente em áreas de encosta como Juiz de Fora e Ubá. As mortes estiveram principalmente associadas a soterramentos, queda de imóveis e ruptura de taludes, características típicas de regiões serranas sob altos volumes de chuva em pouco tempo. 

Após quase dois anos da tragédia, o Rio Grande do Sul tem ampliado suas estratégias para prevenção de enchentes. O estado investe no fechamento coordenado de comportas do sistema de proteção da capital, reforço e reconstrução de diques, implantação de sistemas de alerta hidrológico mais precisos e obras estruturais como viadutos e adequações de rodovias que foram impactadas pelas cheias anteriores. Estudos técnicos também têm ganhado destaque diante de futuros eventos climáticos extremos. 

Minas Gerais, pode avançar em estratégias semelhantes, especialmente no reforço de monitoramento contínuo de encostas, expansão de sistemas de alerta antecipado e investimento em infraestrutura urbana resiliente, incluindo estabilização de taludes, mapeamento de áreas de risco e atualização de planos diretores considerando cenários climáticos mais agressivos. Como a geografia de Minas é de muitas encostas, é importante que haja uma abordagem diferenciada como a remoção preventiva de famílias em períodos críticos e obras permanentes de contenção.

As mudanças climáticas não são mais coisa do futuro, já fazem parte do presente e muitos estados brasileiros estão suscetíveis com tempestades e eventos climáticos extremos. Além dos estados citados, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo são os mais ameaçados com tempestades severas, principalmente pela sua combinação de relevo acidentado, urbanização intensa e por estarem em zonas de grandes volumes de chuva. O padrão observado nos últimos anos mostra que episódios antes considerados excepcionais estão se tornando mais frequentes, reforçando a urgência de adaptação e resiliência.

Referências

The impacts of extreme weather events : a comprehensive analysis of the 2024 floods in Rio Grande do Sul

Viaduto desaba na BR-470 durante obras de recuperação no RS | G1

Chuva com mortes: o que se sabe sobre catástrofe em Juiz de Fora

Enchentes em Minas Gerais: 30 mortos, 39 desaparecidos e alerta para novas chuvas | Exame

SciELO Brasil – O maior desastre climático do Brasil: chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul em abril-maio 2024 O maior desastre climático do Brasil: chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul em abril-maio 2024