Uma rotina completamente comum em nosso dia a dia, mas que pode ter um impacto ambiental significativo por trás de toda a sua cadeia produtiva. Um gesto simples como trocar de roupa ou vestir um uniforme de trabalho tem um grande impacto em nosso planeta. A indústria da moda é uma das mais influentes do mundo, movimentando bilhões de dólares e ditando tendências que impactam o comportamento de consumo global.
No entanto, por trás das vitrines e passarelas, existe um lado pouco conhecido, pois o setor é um dos maiores poluentes do planeta, sendo responsável por cerca de 20% da poluição da água industrial no mundo, segundo dados da ONU. A produção de tecidos como o algodão, exige grandes volumes de água, estima-se que uma camiseta de algodão consuma até 2.700 litros de água em sua fabricação.
Esse cenário é preocupante diante da escassez hídrica que afeta diversas regiões do planeta. Apenas 2,5% da água da Terra é doce, e grande parte está inacessível em geleiras ou aquíferos profundos. Com o aumento da população e das mudanças climáticas, o acesso às fontes de água potável está cada vez mais escasso, difícil e caro.
Os padrões de consumo também influenciam diretamente esse problema. O modelo de fast fashion, que incentiva compras frequentes e que mudam a cada estação, aumentou em 60% o consumo de roupas nos últimos 15 anos, enquanto a durabilidade das peças caiu pela metade. Esse ciclo acelerado gera mais resíduos e demanda mais recursos naturais, incluindo água.
É nesse contexto que surge a moda sustentável, definida como a prática de produzir, consumir e descartar roupas de forma que respeite o meio ambiente e os direitos humanos. Ela envolve desde o uso de materiais reciclados e orgânicos até processos produtivos que economizam água e energia.
A redução de até 90% no consumo de água na moda sustentável acontece graças a mudanças importantes no processo de fabricação das roupas. Por exemplo, algumas fábricas estão usando sistemas de reuso de água, que tratam e reaproveitam a mesma água várias vezes durante a produção. Também há marcas que trocam os corantes químicos por corantes naturais, que precisam de muito menos água para tingir os tecidos. Outro exemplo é o uso de tecidos reciclados, como o nylon feito de redes de pesca usadas e poliéster feito à base de garrafas PET recicladas, que evitam etapas que gastariam muita água.
Quando adotado, o algodão orgânico consome menos água do que o algodão tradicional, pois é cultivado sem agrotóxicos e com técnicas que preservam o solo e a umidade. Com essas práticas, empresas conseguem economizar milhares de litros de água por peça produzida, mostrando que é possível produzir peças têxteis com menor impacto ao com o meio ambiente.
Além da economia hídrica, a moda sustentável pode trazer outros benefícios importantes, como a redução das emissões de carbono, promover condições de trabalho mais justas e o consumo consciente. A mudança depende tanto das empresas quanto dos consumidores, que têm o poder de escolher marcas comprometidas com o planeta.
Referências consultadas:
Moda sustentável: mais que tendência, é uma necessidade e exige qualificação
Five initiatives making fashion more sustainable | National Geographic
Most sustainable clothing brands of 2025, per environmentalists | CNN Underscored