Essa talvez seja uma das perguntas mais difíceis de responder, pois depende de muitos fatores e talvez não tenha uma única resposta. Os séculos XX e XXI foram marcados por transformações sociais grandes, como a industrialização, a mecanização da agricultura, a concentração de oportunidades de trabalho e a busca por acesso à saúde, à educação e aos serviços públicos. Tudo isso impulsionou a migração do campo para as cidades, onde grande parte desses movimentos e transformações estava acontecendo.
No Brasil, em 1940, apenas 31,2% da população vivia em áreas urbanas, em 1970, essa proporção chegou a 55,9% e, segundo o Censo 2022 do IBGE, alcançou 87,4%. Entre 2010 e 2022, as áreas urbanas ganharam 16,6 milhões de habitantes, enquanto as áreas rurais perderam cerca de 4,3 milhões. No mundo, segundo a classificação mais recente da ONU, a parcela que vivia em cidades passou de 20% em 1950 para 45% em 2025, outros 36% viviam em cidades menores e vilas, enquanto aproximadamente 20% permaneciam em áreas rurais. A ONU projeta que dois terços do crescimento populacional mundial até 2050 ocorrerão nas cidades.
Mas o crescimento urbano não fica limitado apenas ao número de habitantes, os serviços urbanos são os grandes limitantes de um crescimento adequado e necessário. Demandas como moradia adequada, transporte público, abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, gestão de resíduos, drenagem pluvial, unidades de saúde, escolas e serviços de segurança. Sem planejamento correto, a expansão urbana tende apenas a se transformar em aglomerados com ocupações precárias, deslocamentos longos, sobrecarga dos serviços públicos e desigualdade no acesso à infraestrutura.
No Brasil, em 2024, 84,1% da população tinha acesso à rede de abastecimento de água, enquanto 56,7% contavam com rede coletora de esgoto. Esses números revelam que ampliar a população urbana sem expandir os serviços essenciais pode aprofundar problemas que já existem e que acabam refletindo em problemas ambientais como o descarte de esgoto sem tratamento.
O meio ambiente é quem paga o preço mais alto pela urbanização rápida e sem planejamento. Historicamente, muitas cidades cresceram pela expansão horizontal sobre áreas de vegetação nativa, terras agrícolas, margens de rios e outros espaços naturais. Tudo isso fragmenta habitats, reduz a biodiversidade e aumenta a impermeabilização das superfícies, agravando enchentes e ilhas de calor. Outro dado que chama a atenção é que globalmente, a área construída no planeta aumentou duas vezes mais rápido que a população nos últimos 50 anos, além da população estar aumentando, estamos ocupando mais território urbano por pessoa.
A relação entre urbanização e mudanças climáticas é igualmente importante. De acordo com o IPCC, as áreas urbanas responderam por aproximadamente 67% a 72% das emissões globais de gases de efeito estufa, boa parte dessas emissões é referente à produção de alimentos, materiais, energia e mercadorias consumidos pela população urbana.
Existe, então, um limite para o crescimento urbano? Não há um percentual universal cientificamente estabelecido que determine a proporção ideal entre população urbana e rural. O limite sustentável se dá pela capacidade de cada cidade fornecer água, energia e alimentos, absorver resíduos, proteger a biodiversidade e manter condições dignas de vida sem ultrapassar seus limites ecológicos, uma vez que isso não pode ser alcançado, o limite de crescimento foi extrapolado.
A questão não é simplesmente impedir que as cidades cresçam, é preciso decidir como, onde e a que custo elas crescerão. Uma urbanização sustentável exige planejamento antecipado, investimentos públicos, respeito aos limites ambientais e distribuição justa dos benefícios e dos custos do desenvolvimento.
Referências