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Quanto dinheiro existe escondido no desperdício industrial?

Quando falamos em desperdício, normalmente pensamos no lixo que produzimos em casa, nos resíduos sólidos urbanos como plástico, papelão, vidro e metais. Mas existe outro desperdício, muito maior e menos discutido, é aquele que acontece dentro das indústrias e muitas vezes apresentam números muito maiores.

Na indústria, o consumo de materiais como aço, alumínio, plástico, papelão, madeira, embalagens e diversos outros é enorme. Esses materiais são insumos utilizados na fabricação de produtos e, após o processo produtivo, aquilo que não foi aproveitado acaba se tornando resíduo e sendo encaminhado para descarte, tratamento, reciclagem, reutilização, reaproveitamento ou aterro.

Cada material possui características próprias e necessita de uma destinação adequada, mas também apresenta uma oportunidade única de ser reinserido na cadeia produtiva. O que muitas vezes é tratado apenas como resíduo pode, na verdade, representar uma matéria-prima, uma fonte de receita ou uma oportunidade de redução de custos para a própria indústria ou para outra empresa.

Mas nem tudo do que se gera ao final de um processo produtivo é necessariamente lixo. No Brasil, um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE), estimou que o país gera cerca de 33 milhões de toneladas de resíduos industriais por ano. Aproximadamente 25 milhões de toneladas não recebiam tratamento adequado, cerca de 75% do total e seriam necessários cerca de R$ 3,7 bilhões para tratar adequadamente esse volume.

Os números mostram a dimensão histórica do problema e a falta de soluções consolidadas e nacionais sobre resíduos industriais.  E existe uma questão ainda mais interessante: quanto desse material poderia voltar para a economia e qual o tamanho do desperdício?

Falamos de vários materiais com alto potencial de reaproveitamento como sucata metálica, alumínio, papel, papelão, plástico, madeira, pallets, embalagens e resíduos da construção civil que podem ser reutilizados, reciclados ou transformados em matéria-prima para outros processos.

O problema é que muitas vezes é mais simples pagar para retirar tudo da fábrica do que investir em segregação, armazenamento, rastreabilidade e valorização dos materiais. Quando materiais diferentes são misturados, contaminados ou classificados de maneira inadequada, aquilo que tinha valor pode se transformar em custo, a gestão inadequada de resíduos industriais deixa de ser uma oportunidade de ganhos e passa a ser apenas um custo com o tratamento.

É aqui que aparece o dinheiro escondido no desperdício, pois existe uma estatística brasileira confiável que permita afirmar quantos bilhões de reais em materiais industriais potencialmente recicláveis são atualmente descartados. Mas, se considerarmos uma abordagem bem conservadora, estamos falando de 7,5 milhões de toneladas de materiais que poderiam ser reaproveitados e aproximadamente R$ 3,75 bilhões em materiais potencialmente recuperáveis.

Já no mundo, o cenário não é muito diferente. A economia mundial utiliza aproximadamente 106 bilhões de toneladas de materiais por ano, mas apenas 6,9% retornam à economia como materiais reciclados.  Não existe hoje uma conta global precisa de quanto de dinheiro é desperdiçado em resíduos industriais, mas a ordem de grandeza pode chegar a centenas de bilhões de dólares por ano. 

Estudos estimam que o mundo gere cerca de 9,2 bilhões de toneladas de resíduos industriais por ano, se apenas 30% desse volume tivesse potencial de recuperação estaríamos falando de aproximadamente US$ 276 bilhões em valor potencial perdido todos os anos. É uma estimativa, não um dado oficial, mas ajuda a dimensionar o tamanho da oportunidade.

Quando descartamos um material que poderia ser reutilizado ou reciclado, não estamos apenas perdendo dinheiro, mas também aumentando a necessidade de extrair novos recursos da natureza. Assim como existem políticas voltadas aos resíduos sólidos urbanos, são necessárias políticas mais fortes envolvendo o setor público, o setor privado e a academia, para buscarmos soluções que permitam recuperar uma quantidade maior de resíduos industriais, evitar gastos desnecessários e reduzir a pressão sobre o planeta causada pela extração de materiais não renováveis.

Referências

https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/prefeituras-perdem-600-milhoes-em-arrecadacao-com-destinacao-irregular-de-residuos-industriais
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352550923001458

CGR 2025 complete document.pdf

2025 The Global Circularity Gap Report | Deloitte Global

https://www.reuters.com/sustainability/boards-policy-regulation/stuck-linear-can-european-push-help-circular-economy-get-into-gear–ecmii-2026-07-08