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Qual o impacto ambiental das eleições brasileiras?

Em outubro, mais de 158 milhões de brasileiros irão às urnas escolher os seus representantes para os próximos anos nos estados, Distrito Federal e União. Serão mais de 21 mil candidatos que movimentam bilhões de reais em propagandas, material eleitoral, equipes de apoio e profissionais.

Esse é o maior momento da democracia brasileira, uma das maiores eleições com votos diretos do mundo, mas há um aspecto de que pouco se fala em meio à propaganda eleitoral: o real impacto ambiental das eleições brasileiras.

Basta caminharmos pelas ruas para perceber a quantidade de santinhos, panfletos, adesivos, bandeiras e, especialmente nestas eleições, os famosos wind banners, que se multiplicaram pelas calçadas e canteiros centrais. São materiais utilizados durante poucas semanas, mas que podem deixar impactos ambientais muito além do período eleitoral.

Uma estimativa conservadora estima a produção de 10 bilhões de santinhos e panfletos, com peso médio de 2 gramas por unidade. Chegaríamos a aproximadamente 20 mil toneladas de resíduos de papel. E isso sem contabilizar bandeiras, adesivos, banners, embalagens e outros materiais utilizados nas campanhas.

Estamos falando de um material que, muitas vezes, é descartado logo após a produção ou que não tem efeito nenhum sobre a decisão do eleitor. Além do descarte, precisamos considerar toda a cadeia produtiva desses materiais, como o consumo de água e energia, a utilização de tintas, o transporte e as emissões de gases de efeito estufa.

Os wind banners merecem atenção especial, pois são a grande novidade nesse pleito. Produzidos geralmente com tecidos sintéticos, estruturas metálicas e componentes plásticos, possuem possibilidades limitadas de reutilização ou reciclagem quando personalizados com nomes, números e fotografias dos candidatos. Sem planejamento para recolhimento e reaproveitamento, acabam se transformando em mais um resíduo das campanhas que provavelmente vai ser enviado diretamente para aterros sanitários.

Não podemos deixar de lado a poluição visual que as campanhas acabam nos trazendo. O excesso de materiais publicitários interfere na paisagem urbana, ocupa espaços públicos e pode prejudicar a circulação de pedestres e a visibilidade dos motoristas, sendo relatados acidentes de trânsito pela visibilidade reduzida em algumas vias. Somam-se a isso a poluição sonora dos carros de som e as emissões associadas aos deslocamentos de candidatos e equipes.

O debate não é sobre acabar com a propaganda eleitoral, mas sobre repensar a maneira como ela é realizada. Reduzir a quantidade de impressos, priorizar materiais reutilizáveis, utilizar matérias-primas recicladas e estabelecer estratégias de logística reversa deveriam ser práticas incorporadas ao planejamento das campanhas.

A discussão sobre meio ambiente não deve ficar restrita ao que será feito depois das eleições, como as propostas de gestão de resíduos, mudanças climáticas ou prevenção de enchentes. As próprias campanhas eleitorais podem estar agravando esses problemas ao utilizar grandes quantidades de materiais, sem preocupação com sua coleta e reciclagem, além das emissões de carbono associadas às carreatas. As eleições duram apenas algumas semanas, mas os impactos das nossas decisões sobre o meio ambiente podem permanecer por muitos anos.

Referências

Eleições Sustentáveis 2026 — Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo

Faltam 30 dias: Brasil tem mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar — Tribunal Superior Eleitoral

TRE-RS lança campanha contra a poluição ambiental — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul

Santinhos mantêm topo de gastos eleitorais – 14/10/2024 – Poder – Folha