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Biodiversidade e novos medicamentos

Biodiversidade e novos medicamentos

A biodiversidade nos cerca em todos os lados da nossa vida, seja em uma caminhada na rua, uma ida ao parque, compras na feira, a alimentação em nosso prato e até mesmo em medicamentos que a gente toma. A riqueza de espécies animais e vegetais vai muito além do que um simples número ou lista de espécies.

O Brasil é considerado o país com maior riqueza de plantas e animais do mundo. A ciência atualmente conhece mais de 1 milhão de espécies, mas estimativas apontam para quase 9 milhões no planeta, há uma enormidade de plantas, animais e fungos ainda não descritos formalmente pela ciência. Somente no Brasil são conhecidas mais de 120 mil espécies de animais e plantas e nossos biomas são verdadeiros oásis para os pesquisadores, somente a Amazônia possui 10% de todas as espécies do planeta, mas ainda há muito que ser descoberto, a Mata Atlântica, que possui apenas 12% de sua área original é um grande remanescente de riqueza e um verdadeiro laboratório ao ar livre.

A própria história da medicina está muito ligada com a biodiversidade e com os materiais que estão disponíveis, os primeiros médicos usavam pomadas, infusões, chás e macerações de plantas e animais para tratar doenças, e nos tempos atuais o hábito permanece, apenas modernizado. Estima-se que cerca de 40% dos medicamentos modernos tenham origem direta ou indireta em produtos naturais, movimentando centenas de bilhões de dólares por ano.

Um dos exemplos mais famosos é o captopril, famoso remédio para controle da hipertensão, que foi desenvolvido a partir de moléculas presentes na peçonha da jararaca (Bothrops jararaca), espécie amplamente difundida e comum no Brasil, somente esse remédio possui mais de 10 bilhões de dólares em vendas acumuladas. . Outro exemplo é a pilocarpina, extraída de plantas amazônicas, utilizada no tratamento do glaucoma. Há ainda pesquisas com toxinas da aranha-armadeira para disfunção erétil e compostos derivados de serpentes para selantes cirúrgicos. Se parte dessa receita fosse revertida para conservação, poderíamos financiar a proteção de vastas áreas de floresta e garantir renda sustentável para comunidades locais.

Há linhas de pesquisa bem promissoras, utilizando compostos naturais no combate a diferentes tipos de câncer, doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, além de novos antibióticos frente à crescente resistência bacteriana. Esse nicho de negócio é enorme, pois une grandes princípios, salvar vidas humanas, gerar conhecimento científico e fomentar a conservação de espécies ainda desconhecidas ou com potenciais ainda não explorados.

E nesse cenário, o Brasil tem uma oportunidade única por conta da sua biodiversidade de grandes números, dos variados biomas e do número de pesquisadores, mas isso exige investimento em ciência básica, tecnologia e políticas públicas que valorizem a investigação de plantas e animais com o rigor científico. A exploração sustentável desse nicho de negócio pode ser importante para a manutenção de serviços ambientais como disponibilidade de água, regulação do clima e prevenção de enchentes, pois isso depende da conservação e manutenção de áreas protegidas, que beneficiam diretamente as populações locais e combinam preservação e desenvolvimento.

O potencial dos biomas brasileiros vai além da Amazônia e Mata Atlântica, se estende aos demais biomas que ocorrem em nosso país, a Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampa. Todos esses ecossistemas não são apenas reservas de carbono ou abrigo de espécies, são fontes estratégicas de saúde, ciência e inovação. Cada planta, animal ou microrganismo pode conter moléculas capazes de revolucionar a medicina, como já ocorreu com medicamentos famosos. O grande desafio é equilibrar a exploração científica, geração de valor com a conservação do meio ambiente.

Referências

https://revistaamazonia.com.br/como-o-veneno-mortal-de-serpentes-da-amazonia-esconde-o-segredo-de-remedios-que-salvam-milhares-de-vidas-cardiacas
https://boanoticiabrasil.com.br/bem-estar/plantas-medicinais-amazonia-remedios-ja-usados

De hipertensão a disfunção: como predadores brasileiros podem salvar | G1

Florestas tropicais abrigam até US$ 1,2 trilhão em potencial inexplorado para descoberta de novos medicamentos, aponta estudo | ESG Inside