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Borboletas estão perdendo as cores em áreas de floresta desmatada

Você já parou para pensar a quanto tempo não vê uma borboleta durante o seu dia a dia? Esses insetos nos despertam o fascínio pela beleza, pela sua metamorfose, seu colorido e desenhos impressionantes presentes nas suas asas. No entanto, além da beleza, as borboletas desempenham funções ecológicas fundamentais e ainda podem nos dizer como está a qualidade ambiental de uma determina região.

Locais preservados e com florestas bem conservadas apresentam maior número de espécies e grande variedade  de formas e cores, já em locais submetidos à degradação ambiental, nota-se uma redução da diversidade de espécies e também no colorido desses insetos voadores. Em áreas desmatadas prevalecem espécies generalistas e menos especializadas, geralmente menos coloridas visualmente.

Nosso país responde por quase 20% das mais de 20 mil espécies de borboletas conhecidas globalmente. Essa diversidade é reflexa de evolução e existência ao longo dos vários biomas do Brasil e cada um dos seus ambientes ecológicos, de florestas a campos, de serrados a mangues, tudo isso é capaz de oferecer uma variedade de nichos ecológicos. Em ambientes florestais preservados as espécies encontram diferentes ofertas de alimentação, abrigo e reprodução, diferentes tipos de planta, luminosidade ou umidade, fundamentais para completar o seu ciclo de vida.

Quando uma área natural de floresta é desmatada para expansão agrícola, aumento da pecuária, crescimento urbano ou exploração de madeira, ocorre uma simplificação da estrutura ambiental. A diversidade de espécies de plantas diminui, o clima fica alterado, os recursos diminuem, o ambiente fica mais homogêneo e muitas espécies deixam de existir. A primeira consequência é o desaparecimento das espécies mais sensíveis e especializadas a qualquer mudança ambiental. No lugar permanecem as espécies mais generalistas, capazes de sobreviver em condições ambientais extremas.

Embora a redução do número de espécies seja o aspecto mais evidente, os impactos vão muito além. As borboletas desempenham importantes serviços ecossistêmicos, especialmente relacionados à polinização. A perda de diversidade de insetos pode gerar efeitos em cascata que afetam o funcionamento de todo o ecossistema. Menos polinizadores significa menor reprodução de diversas plantas, a redução da cobertura vegetal impacta outras espécies animais, altera o ciclo da água, do carbono e de outros nutrientes.

A perda de espécies de insetos como as borboletas reflete muito mais que apenas um menor número de cores voando entre as árvores, isso reflete em uma perda de biodiversidade e dos inúmeros serviços ambientais associados. Elas nos fornecem um lembrete silencioso de que é preciso olhar para todas as espécies, das grandes às pequenas, das coloridas às mais sóbrias. Ao observarmos a diversidade e as cores presentes em suas asas, estamos também observando um reflexo da saúde dos ecossistemas. Em muitos casos, antes mesmo que a degradação ambiental esteja estabelecida, as borboletas já sentem o impacto, os primeiros sinais de pressão e desmatamento.

Referências

Como o desmatamento da Amazônia afeta as borboletas: elas estão perdendo suas cores e podem desaparecer | National Geographic | National Geographic

https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2021/06/23/pesquisa-evidencia-como-o-desmatamento-na-amazonia-esta-relacionado-com-a-ausencia-de-cores-nas-borboletas

As forests are cut down, butterflies are losing their colours | Butterflies | The Guardian

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