Na próxima refeição, faça um exercício e observe a variedade alimentar em seu prato. Possivelmente será composto por alimentos à base de plantas, carnes ou alimentos processados e este padrão tende a se repetir ao longo dos dias da semana, comemos as mesmas coisas ao longo das nossas vidas. Quem nunca ouviu falar que o arroz e feijão é o prato símbolo do Brasil?
Essa não é uma realidade exclusiva do Brasil, outros países e localidades, à medida que são abertos à globalização, tendem a homogeneizar a sua alimentação com poucas espécies de alimentos, vegetais ou animais. Respeitadas as diferenças culturais de cada local, há um padrão global de consumo das mesmas fontes alimentares.
Nos últimos séculos, a alimentação humana passou por uma grande transformação. Antes, comunidades locais cultivavam e consumiam uma ampla gama de plantas, frutas, legumes e cereais. Hoje, a produção global está concentrada em poucas espécies como arroz, trigo, milho e soja, culturas que dominam grande parte das lavouras do mundo. Essa mudança reduziu a diversidade alimentar disponível para bilhões de pessoas.
Com o avanço da globalização, os sistemas alimentares passaram a priorizar eficiência e escala. Grandes monoculturas substituíram cultivos variados, e alimentos ultraprocessados se tornaram comuns. Isso facilitou o acesso a calorias baratas, mas diminuiu a variedade de nutrientes e sabores. Sistemas antes pequenos e diversos foram substituídos por grandes plantações a perder de vista.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) analisou centenas de culturas ao redor do mundo e fez uma extensa pesquisa bibliográfica e concluiu que existem mais de 50.000 espécies de plantas comestíveis no planeta, mas que apenas 15 delas respondem por 90% da fonte de energia da população mundial. As principais culturas cultivadas em larga escala são: arroz, trigo, milho, batata, mandioca (aipim), soja, cevada, sorgo, cana-de-açúcar, batata-doce, inhame, banana, coco, amendoim e feijão.
A produção em larga escala tem os seus pontos positivos, como a garantia de segurança alimentar e preços acessíveis para o alimento da grande população, entretanto a falta de diversidade alimentar está ligada ao aumento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e obesidade. Uma dieta variada é essencial para prevenir problemas de saúde e garantir bem-estar.
Os sistemas alimentares atuais também possuem um preço ambiental a se pagar, pois são responsáveis por desmatamento, perda de biodiversidade e crise climática. Ao priorizar poucas espécies agrícolas, deixamos de cultivar e consumir alimentos tradicionais, o que ameaça não apenas a saúde humana, mas também o equilíbrio ambiental.
A diminuição da diversidade alimentar é resultado de escolhas econômicas e sociais que priorizaram quantidade em vez de qualidade. Recuperar a variedade de alimentos é um desafio global, que envolve apoiar agricultores locais, valorizar culturas tradicionais e incentivar dietas mais equilibradas.
Referências:
Milho: alimento e energia para o mundo | VEJA