O Brasil é um país com uma enorme faixa litorânea, cerca de 7.500 km de faixas de areia banhadas pelo Oceano Atlântico. Mas todas as nossas riquezas naturais contrastam com um cenário bem comum ao longo de toda a nossa costa: o descarte de esgoto sem tratamento.
O despejo de esgoto bruto, sem tratamento, traz uma série de problemas sociais e ambientais para as populações costeiras e para os ecossistemas envolvidos. Uma das mais graves é a disseminação de patógenos. Quando lançado no mar, o esgoto sem tratamento é um vetor de doenças que são causados por bactérias, vírus e fungos e ao entrar em contato com a água contaminada podem causar doenças de pele, hepatites, cólera, gastroenterites e outras doenças.
Outro problema enfrentado pela falta de tratamento do esgoto é a eutrofização dos ambientes aquáticos, que é o crescimento descontrolado de algas, provenientes do excesso de nitrogênio e fósforo dos efluentes sem tratamento. Essa multiplicação desordenada de algas pode refletir em mortandade de peixes e organismos marinhos, a redução do oxigênio na água pela decomposição e produção de toxinas que podem ser tóxicas ao ser humano.
A contaminação química também é um risco pelo descarte de efluentes não tratados. Produtos de limpeza, medicamentos, metais pesados e outros poluentes químicos podem estar presentes no esgoto. Esses contaminantes são um risco e podem contaminar peixes, moluscos e outros organismos marinhos, além de se acumularem na cadeia alimentar e afetar seres humanos ao consumir frutos do mar.
O risco também pode ser direcionado para os ecossistemas costeiros com a alteração do pH e salinidade da água, redução da biodiversidade dos ecossistemas e morte de espécies mais sensíveis. Isso afeta a pesca com a diminuição do estoque pesqueiro e até mesmo a economia com a queda no turismo.
O tratamento de esgoto é um problema que vai muito além da saúde pública, afeta o meio ambiente, comunidades litorâneas e até mesmo o setor de turismo. Uma das medidas implementadas pelos órgãos públicos e concessionárias de saneamento é a adoção das metas do Marco Legal do Saneamento, que prevê que 90% do esgoto brasileiro seja tratado corretamente até 2033.
Referência consultadas
As Consequências Do Despejo Incorreto De Esgoto – GMAR Ambiental
Poluição das águas: Esgoto, petróleo e metais pesados ameaçam águas – UOL EducaçãoEFEITOS AMBIENTAIS DA CONTAMINAÇÃO OCEÂNICA POR MEIO DO DESCARTE DE ESGOTOS .pdf
EFEITOS AMBIENTAIS DA CONTAMINAÇÃO OCEÂNICA POR MEIO DO DESCARTE DE ESGOTOS .pdf
O perfil da poluição das lagunas costeiras urbanizadas – Olhar Oceanográfico – David Zee