A transição energética global é a principal forma de combatermos e limitarmos as mudanças do clima e seus efeitos. Atualmente, a matriz energética global é altamente dependente de fontes não-renováveis e é representada por uma variedade de fontes e combustíveis. Atualmente, essa matriz ainda é baseada na sua maioria em combustíveis fósseis, como:
- Petróleo: 31%
- Carvão: 27%
- Gás natural: 24%
- Renováveis: 12%, incluindo solar, eólica, biomassa e hidrelétrica;
- Nuclear: 6%
Os números podem variar ao longo dos anos e uma pequena flutuação entre as fontes, mas um padrão permanece há décadas, a dependência de cerca de 80% em energias não-renováveis como o petróleo, carvão mineral e gás natural.
O Brasil apresenta uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com quase 50% energia vindo de fontes renováveis como hidrelétricas, biomassa, solar e eólica, mesmo assim ainda somos altamente dependentes das fontes não-renováveis como gás natural e petróleo.
Realizar a transição para fontes de energia renováveis vai além do combate às mudanças climáticas, é um fator preponderante para o combater o esgotamento dos recursos naturais, diminuir problemas de saúde com a emissão de material particulado e fumaça e garantir a segurança elétrica de países e nações.
Olhando para essa necessidade e oportunidade, a consultoria global KPMG realizou um estudo com mais de 1400 executivos, em mais de 30 países entre eles Brasil, Estados Unidos, China, Arábia Saudita e África do Sul. O estudo teve como objetivo avaliar como executivos e países estão enfrentando a transição energética e quais os principais riscos.
Entre os resultados do estudo, podemos destacar os seguintes pontos:
- 100% dos respondentes acreditam que os investimentos em transição energética estão crescendo rapidamente;
- 64% dos investimentos e esforços se concentraram em eficiência energética;
- 50% dos executivos apostam em transporte sustentável como uma categoria de destaque no futuro;
- 26% dos entrevistados não investem mais em energias não-renováveis;
- 36% dos investidores acreditam que o Brasil enfrentará dificuldades na transição por riscos regulatórios na transição energética.
Riscos regulatórios na transição energética são os riscos relacionados a mudanças nas leis, normas e políticas públicas que afetam o processo de substituição de fontes fósseis por fontes renováveis de energia. Esses riscos podem impactar empresas, investidores, governos e consumidores.
A transição energética é um negócio relacionado a resultados em longo prazo, para isso é necessário estabilidade econômica, fiscal e governamental. Diante de cenários conturbados, as apostas acabam se concentrando em projetos com garantia de retorno e necessidade, como é a dependência econômica do petróleo.
Quanto mais a matriz energética brasileira for diversificada, crescem as chances de investimentos em fontes de energia renovável, pois haverá a garantia de demanda e uso. A transição energética é necessária e pode impulsionar o crescimento econômico sustentável.
Referências consultadas
Perspectivas de Investimento na Transição Energética – KPMG Brasil