Quais devem ser as prioridades ambientais dos próximos governos?
Em janeiro de 2027 novos governadores e presidente assumirão os seus mandatos no Brasil com vários desafios a serem tratados. Um dos temas prioritários é a agenda ambiental, desde problemas locais a outros em escala global. O debate ambiental não pode se limitar à preservação das florestas ou ao cumprimento de compromissos internacionais. .
O primeiro ponto é a adaptação às mudanças climáticas que estão cada vez mais presentes com os eventos climáticos extremos. As enchentes no Rio Grande do Sul deixaram evidente o custo humano, social e econômico de não estarmos preparados. Precisamos investir em drenagem urbana, sistemas de alerta, recuperação de áreas de risco, proteção de nascentes e planejamento territorial. A ciência já reconheceu que a meta de 1.5°C não será atingida e isso reforça a necessidade de investir em adaptação.
Outra prioridade deve ser a preservação das florestas e combate ao desmatamento. Florestas, rios, solos e áreas úmidas não são obstáculos ao desenvolvimento, são ativos naturais que sustentam a produção de alimentos, regulam o ciclo da água e ajudam a reduzir os impactos climáticos.
Também precisamos avançar na transição para uma economia de baixo carbono. Esse objetivo anda junto com a adaptação às mudanças climáticas, mas mesmo que a meta de aquecimento já tenha sido ultrapassada, os esforços devem ser mantidos para limitar os eventos climáticos extremos. Isso exige reduzir emissões, melhorar a eficiência energética, ampliar o uso de fontes renováveis e apoiar a descarbonização da indústria, dos transportes e da agricultura.
Outro ponto que deve continuar sendo tratado como prioridade é o saneamento básico e a gestão de resíduos. O saneamento básico possui metas de universalização até 2033 e isso exige fortes investimentos em curto e médio prazo. Já a coleta seletiva, reciclagem, compostagem, logística reversa e inclusão dos catadores precisam ser tratados como parte de uma política consistente de economia circular. Os índices de reciclagem no Brasil são de 4%, apenas uma fração do que poderia ser reaproveitado e gerar renda para milhares de pessoas que trabalham nessa cadeia.
Mas é importante governar a agenda ambiental com indicadores e responsabilidade. Não adiantam metas sem definir quem será responsável, quais recursos serão destinados, quais prazos serão cumpridos e como os resultados serão acompanhados. Precisamos de inventários de emissões confiáveis, indicadores de biodiversidade, metas de recuperação ambiental e transparência na execução das políticas públicas.
Os próximos governos precisam entender que a agenda ambiental não é uma pauta isolada ou partidária, mas precisa estar integrada ao planejamento econômico, às políticas sociais e às decisões de investimento em longo prazo e com continuidade entre diferentes mandatos.
Referências
Clima e ambiente somem da campanha eleitoral no Brasil – 21/09/2026 – Ambiente – Folha