Com o passar dos anos, falar de sustentabilidade deixou de ser um tema distante dos consumidores e empresas, cada vez mais governos, investidores e sociedade olham para o assunto e querem entender com clareza, se uma empresa realmente adota práticas sustentáveis e que irão contribuir para um futuro mais equilibrado ou se não passa apenas de discurso. Nesse contexto foi desenvolvida a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), um sistema oficial criado pelo Governo Federal para definir, com base científica, o que realmente pode ser chamado de sustentável no país.
Taxonomia é um termo que tem a sua origem na biologia e é utilizado pelos cientistas para classificar e identificar como os seres vivos se relacionam, a taxonomia sustentável aproveita desse conceito para classificar as atividades econômicas e explicar como elas ajudam na proteção do meio ambiente, na redução das mudanças climáticas e no enfrentamento das desigualdades sociais. Ela foi formalmente instituída pelo Decreto nº 12.705/2025, que integra o Plano de Transformação Ecológica do governo
Atualmente cada empresa tem o seu critério para dizer se um projeto ou ação é “verde” e se impacta ou não na sociedade, a TSB vem para dar clareza e padronização a essas alegações, a taxonomia sustentável vai acabar com essa falta de padronização e definir critérios técnicos, claros e iguais para todas as empresas. Essa clareza vai ajudar a mobilizar investimentos em atividades e segmentos que realmente tenham um impacto positivo. Regras claras facilitam a vida de bancos e investidores, pois saberão exatamente quais projetos podem ser considerados sustentáveis.
Para ser considerada sustentável pela Taxonomia Sustentável Brasileira, uma atividade precisa cumprir três requisitos:
- Contribuir de forma importante para ao menos um objetivo ambiental, climático ou social.
- Não causar danos significativos a outros objetivos.
- Respeitar critérios mínimos, como direitos sociais, responsabilidade ambiental e boas práticas de governança.
A TSB organiza suas regras em setores essenciais da economia brasileira, como agricultura, energia, saneamento, transporte, indústria e construção. Cada setor tem critérios específicos, considerando suas características e desafios. Por exemplo, na agropecuária, uma atividade que envolve desmatamento (mesmo dentro da lei) não pode ser classificada como sustentável.
Mas como isso vai impactar as empresas? Por enquanto a adoção da taxonomia sustentável como padrão é voluntária, mas a tendência é que as empresas precisem alinhar seus critérios para haver ganho de competitividade. O governo já sinaliza utilizar esses padrões como forma de incentivo na busca por créditos, concorrências públicas e incentivos fiscais.
De outro lado temos os mercados internacionais e blocos econômicos como a União Europeia, que vem exigindo que as empresas possuam padrões e práticas rígidas de sustentabilidade. As práticas brasileiras foram desenvolvidas de acordo com as tendências globais, o que facilita as comunicações das empresas brasileiras, que passam a vender com padrões já consolidados internacionalmente.
A Taxonomia Sustentável Brasileira é um marco importante para modernizar a economia do país. Ela traz mais transparência, reduz incertezas, fortalece a credibilidade das empresas e ajuda a direcionar recursos para atividades realmente responsáveis.
Referências
Brasil lança Taxonomia Sustentável que poderá reorientar incentivos fiscais e crédito público
Governo publica decreto e cadernos da Taxonomia Sustentável Brasileira – ClimaInfo
Plano de Ação — Ministério da Fazenda
5 pontos para entender como a Taxonomia Sustentável Brasileira afetará agendas ESG | Exame