O desmatamento é uma das principais causas da degradação ambiental no Brasil, especialmente nas regiões tropicais como a Amazônia e o Cerrado. No entanto, práticas sustentáveis de manejo do solo agropecuário têm se mostrado eficazes para aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas, contribuindo para a preservação ambiental e o combate às mudanças climáticas.
Segundo a Embrapa, o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) promove tecnologias como a recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta e o sistema de plantio direto. Essas práticas já ocupam entre 91 e 114 milhões de hectares, com crescimento anual de até 9,2% em algumas modalidades. Além de melhorar a estrutura e fertilidade do solo, essas técnicas reduzem a erosão e aumentam o sequestro de carbono.
Estudos mostram que o manejo sustentável do solo agropecuário pode compensar parte das emissões de gases de efeito estufa ao restaurar as características do solo e favorecer o sequestro de carbono. O solo, além de ser base para a produção de alimentos, atua na regulação do clima, purificação da água e promoção da biodiversidade.
O Brasil perdeu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais entre 1985 e 2024, principalmente pela expansão agropecuária. No entanto, ações integradas de fiscalização, exigência de práticas sustentáveis e rastreabilidade da cadeia de fornecimento têm contribuído para a redução do desmatamento em 32% em 2024, principalmente nos biomas Cerrado e a Amazônia.
Além disso, o desmatamento já é responsável por 75% da perda de chuvas na Amazônia, conforme estudo publicado na revista científica Nature Communications. A remoção da vegetação afeta diretamente o ciclo hidrológico, aumentando a temperatura e reduzindo a precipitação, o que compromete a produtividade agrícola e a estabilidade climática.
Boas práticas de manejo do solo agropecuário incluem o plantio direto, rotação de culturas e adubação orgânica, que preservam a fertilidade e reduzem a erosão. A integração lavoura-pecuária-floresta otimiza o uso da terra e melhora o microclima. A recuperação de pastagens degradadas evita a expansão agrícola sobre áreas naturais. Essas técnicas aumentam a produtividade sem desmatamento. Além disso, contribuem para a conservação da água, biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas.
O manejo sustentável do solo agropecuário não é apenas uma prática agrícola eficiente, mas uma estratégia ambiental crucial. Ao investir em técnicas que aumentam a produtividade sem ampliar a fronteira agrícola, é possível frear o desmatamento, conservar os recursos naturais e garantir um futuro mais equilibrado para o planeta.
Referências consultadas
Manejo agrossilvipastoril e correção de solos – Portal Embrapa
Desmatamento no Brasil cai em 2024, diz MapBiomas
Desmatamento já responde por 75% da perda de chuva na Amazônia, aponta estudo