O meio ambiente e os ecossistemas que nos cercam podem estar enfrentando inimigos invisíveis, substâncias químicas imperceptíveis ao olho humano, mas que aos poucos começam a ter seus efeitos comprovados na saúde humana e também nos animais selvagens.
Um dos compostos mais nocivos são as substâncias perfluoroalquiladas, conhecidas como PFAs (em inglês, Per- and Polyfluoroalkyl Substances), que são uma classe de compostos químicos sintéticos largamente utilizados pela indústria em revestimentos antiaderentes, embalagens de alimentos, espumas contra incêndio e tecidos impermeáveis, mas também podem ser encontradas na água, na poeira, no ar, nas roupas e em um número inimaginável de locais e meios.
Os PFAs foram descobertos na década de 1930 e passaram a ser largamente utilizados a partir da década de 1940. Os PFAs possuem características muito valorizadas na indústria como resistência ao calor, à água e ao óleo. Entretanto uma nova face dos PFAs tem espantado os cientistas, a sua persistência e acumulação no meio ambiente, motivo pelo qual são chamados de poluentes eternos.
Na natureza, os PFAs se acumulam em rios, lagos, solos e até mesmo no ar, afetando diretamente a vida silvestre e humana. Estudos recentes comprovaram que essa substância está presente no organismo de mamíferos, aves, peixes e anfíbios, sendo encontrado em topos de montanha, ecossistemas remotos e até mesmo no Ártico.
Os principais impactos dos PFAs em animais silvestres são:
- Alterações hormonais: Os PFAs podem interferir no sistema endócrino, afetando a reprodução, crescimento e comportamento.
- Problemas imunológicos: A exposição prolongada pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando os animais mais vulneráveis a doenças.
- Bioacumulação: Os PFAs se acumulam nos tecidos ao longo da cadeia alimentar, afetando predadores no topo da cadeia, como aves de rapina e mamíferos marinhos.
- Redução da fertilidade: Estudos em peixes e anfíbios mostram queda na taxa de reprodução e desenvolvimento de embriões.
Um recente estudo analisou a concentração de PFAs no meio ambiente e sua relação com a reprodução de uma espécie de tartaruga de água doce na Austrália. A análise demonstrou que todos os filhotes nasceram com níveis altos de PFAs no seu organismo, além de deformidades na formação dos filhotes, ovos com casca menos resistente e menor número de filhotes, se comparado com locais com menor contaminação de PFAs.
A presença e alta concentração de PFAs em ambientes naturais representa uma grave ameaça à biodiversidade, equilíbrio ecológico e saúde humana, pois a sua acumulação oferece riscos à todas as espécies. Os animais contaminados podem servir de indicadores de poluição ambiental, nos alertando dos riscos que podem afetar os seres humanos.
Referências consultadas
‘Forever chemicals’ are causing health problems in some wildlife
What is PFAS, the dangerous “forever chemical” found in drinking water? | National Geographic