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Bactérias, pólen e esporos de fungos podem regular padrões de chuva

Uma das cenas mais comuns no cotidiano brasileiro é acompanhar a previsão do tempo, se irá chover ou fazer sol. Primeiramente acompanhávamos atentamente as previsões sobre o clima nos telejornais, rádio ou no jornal impresso. Atualmente qualquer celular possui um aplicativo (ou mais) de previsão do tempo, onde podemos acompanhar em tempo real a temperatura, sensação térmica, probabilidade de chuva, radiação ultravioleta e outros dados. 

Podemos ter o panorama completo do dia ou da semana, do local que estamos, do estado vizinho ou de qualquer parte do mundo na ponta dos dedos, em tempo real. Mas os cientistas descobriram que é possível prever a chuva com grande precisão olhando para outros dados: a presença de bactérias, fungos e grãos de pólen suspensos no ar.

Uma recente -e inovadora – pesquisa mostrou que essas pequenas partículas biológicas suspensas no ar (bactérias, grãos de pólen e esporos de fungos) desempenham um papel muito importante na formação de chuva. As nuvens de chuva são compostas principalmente por cristais de gelo e gotículas de água suspensos na atmosfera. O diferencial dessa pesquisa é investigar sobre o que os cristais de gelo se formam.

A formação dos cristais de gelo ocorre quando alguma micropartícula (poeira, sal marinho, fuligem) atua como núcleo de condensação, ou seja, em torno dessas partículas o vapor d’água se congela e forma cristais de gelo, que ao descongelarem formam as gotas de chuva. Os cientistas conseguiram identificar que a presença de biopartículas como bactérias, fungos e pólen representam a grande maioria dos núcleos de condensação (em determinadas condições), se comparado aos demais partículas inertes como poeira e fuligem

Um recente estudo analisou a formação de chuva por dois meses no Monte Helmos, na Grécia, onde o período de chuva coincidiu com momentos no dia em que a concentração de grãos de pólen, esporos e bactérias é mais alto, principalmente ao meio-dia, com concentração até 5 vezes maiores do que à noite, período de pouca chuva na região. Mesmo em períodos secos, as biopartículas compunham de 10% a 30% dos núcleos de congelamento dos cristais de gelo.

Ainda não está claro por que essas partículas possuem essa capacidade de condensação superior se comparado a fuligem, areia ou poeira. Já ficou comprovado que a maior parte dos cristais de gelo, em condições normais, possuem o seu núcleo congelado ao redor de bactérias, fungos e pólen.

Quando a presença dessas biopartículas é analisada em simulações meteorológicas, os cientistas observaram um aumento de até dez vezes nos níveis de precipitação. Isso sugere que os modelos climáticos atuais podem estar subestimando o impacto dessas biopartículas em um regime de chuvas, especialmente em um cenário de mudanças climáticas, que tende a intensificar a liberação dessas partículas pelos ecossistemas.

Essa descoberta abre uma nova janela para modelos de previsão do tempo, podendo incluir fatores biológicos nos modelos e dando mais precisão aos modelos meteorológicos e de previsão de chuva.

Referências consultadas

Manchas de vida no céu podem influenciar os padrões de chuva

Increased duration of pollen and mold exposure are linked to climate change

On the drivers of ice nucleating particle diurnal variability in Eastern Mediterranean clouds | npj Climate and Atmospheric Science