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Depois do café, quais outros produtos podem ficar mais caros pelas mudanças climáticas?

Um dos hábitos mais comuns do brasileiro ficou bem mais caro nos últimos meses, o cafezinho de todo dia subiu quase 80% nos últimos doze meses aqui no Brasil, acompanhando uma alta global do preço do grão.

Apesar de ser o maior produtor de café do mundo há mais de 150 anos e ser um dos maiores consumidores da bebida, boa parte da produção abastece vários países e com a queda na produção nas últimas duas safras, o preço foi nas alturas em todos os mercados globais. A queda de safra foi motivada por oscilações no clima, principalmente falta de chuva e excesso de calor.

Mas além do café, várias outras culturas do cotidiano, que estão em nossos pratos e mesas também sofrem ameaças de queda de produção e aumento de preço. Um dos exemplos do cotidiano é o cacau, que registrou um aumento de 135% no seu preço em 2024, deixando bem salgado o gosto do chocolate, que em muitos casos acompanha o café. A queda na oferta global de cacau, motivada por secas prolongadas na Costa do Marfim e Gana e mudanças nos regimes de chuva derrubou os estoques das sementes e elevou os preços em todo o mundo.

O pãozinho de cada dia, que nos acompanha no café da manhã e nos lanches ao longo do dia também tem seu potencial valor na mira das mudanças climáticas. Ondas de calor extremo e falta de chuva já estão comprometendo as colheitas em países da América do Norte e Europa. Na América do Sul Argentina e o Rio Grande do Sul estão sujeitos às quedas de produtividade e aumento de preço por conta do excesso de chuva em momentos do plantio e crescimento das plantas.

Nem mesmo o arroz e feijão típico dos pratos brasileiros escapou das oscilações do clima. Com o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul em maio de 2024, o preço do cereal foi às alturas pela queda de safra no estado que responde por 80% por toda a produção nacional do grão. No mesmo ano o complemento do arroz, o feijão, subiu 40% por conta de queimadas e secas no centro-oeste brasileiro.

O impacto das mudanças climáticas vai muito além do café. Ele ameaça a estabilidade dos preços de alimentos básicos e pode agravar a insegurança alimentar em diversas regiões do planeta. O grande desafio da ciência e agricultura para as próximas décadas será conciliar e adaptar o cultivo de alimentos com as irregularidades climáticas que estão se tornando o padrão em nosso território.

Referências consultadas

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